quarta-feira, 13 de maio de 2009

Mangiare


Continuando as peças do IV Palco Giratório, vi Mangiare no sábado. Uma peça gostosa em vários sentidos. Mangiare é uma peça janta, com um humor de fácil digestão e pratos saborosos num clima de cantina. Música boa, companhia boa, comida boa, não tem como não sair contente do espetáculo. Até o vinho que era mais ou menos ficou bom com as risadas e o nhoque de inhame que melhor que o gosto só tinha o aroma. As piadas são inteligentíssimas? Nâo, mas tb não acho que era a intensão do grupo mesmo. Fiquei só com uma dúvida... O que é brigadeiro de uva?

E um porém, eu e uma amiga tinhamos um churrasco pra ir após a peça!

sábado, 9 de maio de 2009

E não é só isso...



Mas tá pensando que só de assistir vivo eu no Palco??? Não!!! Hoje fiz minha primeira peça de rua. Fui uma das noivas, uma das Dulcinéias de Quixote em "Das saborosas aventuras de Dom Quixote e Sancho Pança" do Grupo Teatro que Roda, de Goiás.
Não posso falar da peça, que ao participar, não assisti. Quem viu entende essa colocação. Só poss dizer que foi uma suuuuuper experiência! Grupo querido e com uma super garra, produção show. Foi uma invasão da fantasia no centro, com direito a algumas Dulcinéias (eu uma) em cima da pá de uma retroescavadeira que representava o dragão. Tudo!

Um pouco do palco giratório


É interessante como boa arte dá vontade de escrever. E ao mesmo tempo não. Principalmente quando as opiniões ainda estão na parte não racional de meu ser. Tenho visto só peças agradáveis, pra dizer o mínimo, neste IV Palco. "O Santo Guerreiro e o Herói Desajustado", direção de Rogério Tarif, que mistura a história de Dom Quixote tendo a cidade de São Paulo como Dulcinéia e introduz Sâo Jorge com uma facilidade incrível foi encantador.

"Ele Precisa Começar", com direção de Alex Cassal e Felipe Rocha, foi uma grata surpresa para essa minha mente e gosto ainda tão rígido e retrógado, como diria Daniel Colin. Aliás, o que essas últimas semanas tem me mostrado é que não sou mais tão retrógrada assim. O Felipe é um ator empolgante e faz aquela não história ter quase sentido. Me fez viajar diversas vezes e sair sorrindo de uma peça nada convencional, o que é um feito.



E Hysteria... o que dizer de Hysteria??? Agradeço ao Dani (sim o mesmo Colin) e ao Ricardo Zigomático por serem tão enfáticos quanto a qualidade dessa peça quase me obrigando a comprar o ingresso. Numa peça só, todas emoções. Simplesmente engrandecedor. Vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=kLESwG_dW1A

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Mestre Britto

O IV Palco Giratório Sesc não começou bem, começou maravilhosamente ótimo. Não tenho a pretenção aqui de fazer uma crítica teatral de "A última gravação de Krapp", que vi nesse domingo porque não tenho nem formação nem vocação para isso. Apenas direi o prazer que foi ver essa monólogo de Beckett encenada por Sérgio Britto, sendo que não havia visto nenhum dos dois e eu ainda processava tudo quando ele perguntou sobre nossas sensações.


Ela é peça com
um ritmo mais lento que as pessas atuais, o que foi (surpreendentemente) um alívio pra minha cabeça, depois que ela conseguiu se concentrar nesse ritmo. No ato Krapp, há a delícia do humor negro, sarcástico que amo, mas o que me capturou de verdade foi o segundo ato.

Eu nunca, nos meus poucos anos de vida, me conectei tanto com um personagem. Não exatamente um personagem, mas um momento. Dentro da cena do deserto, com a peça prestes a terminar, Krapp (era ainda Krapp? era seu alter ego? era o retrato d ser humano?) desiste. E parado, apenas olhando para o horizonte, Mestre Britto passa a maior quantidade de sentimento que já vi alguém passar pelos olhos. Uma angústia desesperada é o mais perto que posso chegar de uma definição.

E essa força me transporta. Não vejo mais as cabeças na minha frente no teatro. Não vejo mais nada. E o homem se aproxima, ou eu me aproximo dele. Me vejo frente a frente com aquela figura. Meu coração fisicamente dói. Não choro. Só olho para os olhos dele e vejo ele se iluminar mais que o palco. Minha alma lembra. Por um momento somos quase um. As luzes se apagam.