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sábado, 9 de maio de 2009

E não é só isso...



Mas tá pensando que só de assistir vivo eu no Palco??? Não!!! Hoje fiz minha primeira peça de rua. Fui uma das noivas, uma das Dulcinéias de Quixote em "Das saborosas aventuras de Dom Quixote e Sancho Pança" do Grupo Teatro que Roda, de Goiás.
Não posso falar da peça, que ao participar, não assisti. Quem viu entende essa colocação. Só poss dizer que foi uma suuuuuper experiência! Grupo querido e com uma super garra, produção show. Foi uma invasão da fantasia no centro, com direito a algumas Dulcinéias (eu uma) em cima da pá de uma retroescavadeira que representava o dragão. Tudo!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Mestre Britto

O IV Palco Giratório Sesc não começou bem, começou maravilhosamente ótimo. Não tenho a pretenção aqui de fazer uma crítica teatral de "A última gravação de Krapp", que vi nesse domingo porque não tenho nem formação nem vocação para isso. Apenas direi o prazer que foi ver essa monólogo de Beckett encenada por Sérgio Britto, sendo que não havia visto nenhum dos dois e eu ainda processava tudo quando ele perguntou sobre nossas sensações.


Ela é peça com
um ritmo mais lento que as pessas atuais, o que foi (surpreendentemente) um alívio pra minha cabeça, depois que ela conseguiu se concentrar nesse ritmo. No ato Krapp, há a delícia do humor negro, sarcástico que amo, mas o que me capturou de verdade foi o segundo ato.

Eu nunca, nos meus poucos anos de vida, me conectei tanto com um personagem. Não exatamente um personagem, mas um momento. Dentro da cena do deserto, com a peça prestes a terminar, Krapp (era ainda Krapp? era seu alter ego? era o retrato d ser humano?) desiste. E parado, apenas olhando para o horizonte, Mestre Britto passa a maior quantidade de sentimento que já vi alguém passar pelos olhos. Uma angústia desesperada é o mais perto que posso chegar de uma definição.

E essa força me transporta. Não vejo mais as cabeças na minha frente no teatro. Não vejo mais nada. E o homem se aproxima, ou eu me aproximo dele. Me vejo frente a frente com aquela figura. Meu coração fisicamente dói. Não choro. Só olho para os olhos dele e vejo ele se iluminar mais que o palco. Minha alma lembra. Por um momento somos quase um. As luzes se apagam.